Emissora de TV francesa questiona se Brasil tem condições de resistir à guerra comercial de Trump
condições de resistir à guerra comercial de Trump A emissora francesa BFMTV repercute a entrevista concedida pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad, ao jornal britânico Financial Times, no domingo (30). O canal questiona se o Brasil se encontra de fato em posição privilegiada para resistir à guerra comercial do presidente americano, Donald Trump, como afirmou Haddad ao veículo britânico.
Por RFI
“Fernando Haddad demonstra serenidade quando outros tremem”, diz a jornalista Caroline Loyer, às vésperas de Trump divulgar, na quarta-feira (2), o chamado plano de reciprocidade, a partir do qual aumentará as taxas americanas sobre os produtos de todos os países que cobram tarifas mais altas.
“Ao descrever os Estados Unidos como um parceiro histórico, ele [o ministro] se gaba de ter um excelente relacionamento bilateral com a China”, acrescenta a jornalista.
A Casa Branca ressalta que o Brasil está entre os países que impõem as maiores taxas alfandegárias sobre produtos americanos, de 11,3%. Entretanto, o motivo da “indulgência” de Donald Trump pode estar no fato de que o Brasil é uma das poucas grandes economias com as quais Washington desfruta de um superávit comercial, que atingiu US$ 7,4 bilhões no ano passado.
Segundo o canal francês, o presidente Lula tem demonstrado cuidado para manter boas relações com Trump, mas o aumento dos impostos sobre o aço poderá abalar as relações entre os dois governos.
O Brasil é o segundo maior fornecedor dos Estados Unidos, depois do Canadá. Lula, que se opõe ao aumento anunciado, prometeu levar o assunto à Organização Mundial do Comércio (OMC), explica a jornalista da BFMTV.
Acordo UE-Mercosul
O canal informa que Haddad disse ao Financial Times que diante da guerra comercial de Trump, prejudicial às exportações para os Estados Unidos, os europeus não têm outra saída a não ser ratificar o acordo de livre-comércio com o Mercosul. De acordo com o ministro brasileiro, “a Europa está percebendo que simplesmente não tem outra escolha”.
A reportagem continua dizendo que o Brasil se orgulha de ser um dos maiores exportadores de alimentos do planeta. “Autoridades dizem que o país não é mais apenas o celeiro do mundo, mas está se transformando em uma espécie de supermercado global. Resta saber se esse argumento será suficiente para superar a relutância dos países europeus, que por enquanto ainda se opõem ao acordo”, destaca o canal BFMTV.
Crescimento do PIB
A emissora encerra sua análise apresentando um balanço da economia brasileira: “O PIB cresceu em média 2,75% ao ano desde o fim da pandemia de Covid-19, e a indústria teve um bom desempenho”.
A BFMTV ainda indica que, no final de 2024, o desemprego atingiu uma taxa historicamente baixa. “No entanto, sinais de desaceleração estão sendo sentidos. Os últimos dados de consumo são inferiores ao esperado. A confiança entre as famílias afetadas pela inflação próxima de 5% está se deteriorando. As previsões de crescimento foram revisadas para baixo”, diz.
Segundo o canal francês, o que mais preocupa, e principalmente os investidores, é o déficit orçamentário, que está em 8% do PIB, e a dívida. “De acordo com as previsões do FMI, a dívida brasileira poderá aumentar de 87% do PIB para quase 100% até 2029 se nada for feito”, alerta.
Questionado sobre as dificuldades do governo em retomar a atividade econômica, o ministro da Fazenda fugiu desse ponto, afirma a emissora, e cita a resposta de Haddad ao FT: “Você não telefona para um piloto de Fórmula 1 no meio de uma corrida para perguntar se tudo está sob controle”, declarou o petista.
Visita a Paris
Haddad está em visita a Paris neste início de semana e participa de eventos relacionados aos 10 anos da assinatura do Acordo de Paris sobre o clima.
Na noite desta segunda-feira, o ministro discursa na conferência “10 anos após o Acordo de Paris – governar na era climática”, organizada pela prestigiada faculdade SciencesPo. O discurso será seguido de um debate com moderação do professor Pierre Charbonnier e da economista Laurence Tubiana, ex-embaixadora francesa da COP21.