PÍLULAS PARA O SILÊNCIO (PARTE CCCLXI)

Clauder Arcanjo*

(Pintura “Caipira picando fumo”, de Almeida Júnior.)
PÍLULAS AO CALOR DA PENA

Inspira sobretudo aos jovens mais gosto pela história dos tempos
recentes, que é para nós uma necessidade, do que pela antiga, que não passa de curiosidade; que cogitem que a moderna tem a vantagem de ser mais certa, pelo próprio fato de ser moderna.

                               (Voltaire, em Conselhos a um jornalista.)

Toda verdade é velha, se não nasce patrocinada pelo poder de ocasião. E de plantão com argumentos, ou seja, armas em punho.

 

 

Quando lia Nelson Rodrigues, Súcio Pacheco se identificava
sobremaneira com o vira-lata. Ao entrar em casa, o pobre homem nem gania: apanhava quieto na cama de Malva Alcazar, sua lasciva esposa.

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Quando se fez jornalista, rasgou todos os seus escritos sobre ética,
renegou todos os seus compromissos juvenis. E defendia, no calor da redação, a extrema necessidade de ser um homem livre. Inclusive, e principalmente, dele próprio.

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Estreou na vida política como um novo valor da esquerda. No meio da primeira campanha, ajustou o rumo para o centro.
Hoje, maduro e experiente, revela-se um político da situação. Pouco se importando quando os seus pares o saúdam da tribuna com o epíteto de Jonas, nosso excelentíssimo Canalha.

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Caducar novo é sinal de atraso na vida. Caduca-se melhor quando se
rompe a curva dos noventa bem vividos.

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Dominai o Ego, e o resto ser-vos-á dado por Acréscimo.

*Clauder Arcanjo é escritor e editor, membro da Academia Norte-rio-
grandense de Letras.

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